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quinta-feira, 2 de junho de 2016

Parteira Balbina



Balbina Fortunata da Silva, nasceu em 31 de março de 1902, em Itatiaiuçu, filha de Severiano Calixto da Fonseca e Maria Fortunata da Silva. Casou-se em Itaúna, em 22 de outubro de 1921, aos 19 anos, com José Alexandre de Souza, que era então lavrador e contava apenas 23 anos.
Da união entre eles nasceram quinze filhos, quatro dos quais falecidos ainda muito novos: Maia de Lourdes Viana, a Preta, viúva de Antônio de Araújo, que teve 9 filhos; José Alexandre de Souza, casado com Terezinha, que teve 13 filhos; Paulo Alexandre de Souza, falecido, casado em duas núpcias, pai de 10 filhos; Norma Fonseca de Souza, divorciada, sem filhos, a famosa “Norma da Escola Normal”; Edison da Fonseca, que foi casado com Iracema, pai de 7 filhos; Cleonice da Fonseca, casada com Carlos, mãe de 6 filhos; Oscar da Fonseca, falecido, casado com Lúcia Teixeira, pai de 4 filhos; Marlene Fonseca da Silva, solteira; Arlete Fonseca, viúva de José Nascimento, mãe de 3 filhos; Valdete Fonseca, solteira; e, Jarbas Fonseca de Souza, viúvo de Marlete, pai de 3 filhos.
Balbina era daquelas mulheres notáveis, até difícil de se encontrar hoje em dia! Guerreira, valente, viveu sempre para ajudar as pessoas, ainda que muitas e muitas vezes isso tenha exigido sacrifício dos filhos e até do marido, de quem nunca acobertava falta ou deslizes. Administrava o lar, a conduta do marido e a educação dos filhos com mão de ferro, mas, sem se esquecer nunca do amor e carinho que nutria por todos! A honestidade e a caridade eram os seus maiores predicados. Mal sabia ler e escreve, mas, aprendeu muito: na escola da vida foi “professora” com “pós-graduação e mestrado”. Enfrentou a vida com a valentia própria dos pioneiros ou desbravadores e nunca se comparou com pessoas, acima ou abaixo do que foi. Nunca se esmoreceu e nunca se ouviu dela uma só palavra de reclamação de enfrentar todos os desafios que a vida lhe colocou no caminho.
Nunca tomou uma atitude que pudesse render discriminação aos seus filhos. Pelo contrário, dizia sempre que, pela origem de todos, raça, cor, nível social ou escolaridade, não deviam aceitar qualquer preconceito ou discriminação. Dizia sempre para eles: somos pobres, mas devemos ser honrados e honestos.
Balbina foi parteira das mais conceituadas e solicitadas em Itaúna, ajudando centenas de cidadãos itaunenses a vir ao mundo. Acolheu em sua casa muitos doentes, pessoas mais pobres. Quantas e quantas pessoas com enfermidades ela socorreu, encaminhando a médico e hospitais ... A porta de sua casa estava sempre aberta, sem qualquer distinção que fosse. Era também arrumadeira de defuntos, o que fazia com todo o respeito à família, resguardando-se naquele momento de dor dos familiares.
Gostava muito da política e participava ativamente dela aqui em Itaúna. Enfrentava abertamente os adversários políticos em favor de seus candidatos preferidos. Porém, costumava dizer, sempre, que tinha adversários políticos, mas nunca políticos inimigos. Não se conformava com injustiças ou mal tratos aos que se mostravam fender seus direitos ou a luta pela vida.
A criação de seus filhos foi um capítulo à parte em sua vida. Entendendo que o marido não tinha como criar sozinho uma prole tão grande, foi à luta para ajudá-lo. Viajava pelas redondezas comprando ovos e frangos que ia revender em Belo Horizonte, onde conquistou um grande círculo de amizades. Era a “Dona Balbina”, que podia entrar em qualquer mansão belorizontina, sendo recebida por pessoas de alto nível. Nessas casas, era convidada a almoçar e assentar-se à mesa com os donos e seus filhos, sendo tratada com carinho e respeito. Nessas viagens a Belo Horizonte há de se destacar um fato peculiar: Balbina detestava sapatos ou chinelos e, por muitas vezes, foi e voltou a Belo Horizonte descalça.
Na capital mineira tornou-se amiga de grandes chefes políticos, como Israel Pinheiro e Tancredo Neves, dos quais frequentava a casa toda vez que podia. Para comprar, tinha crédito em toda a cidade, pois sua honestidade a precedia: não havia uma casa de comercio que não lhe fiasse qualquer mercadoria, pois a certeza do recebimento era total. A honestidade financeira e de princípios era sempre a maior lição que ela achava que tinha de passar para os filhos. Estes, continuaram a honrar o predicado maior da mãe, tornando-se todos cidadãos íntegros, que muitos contribuíram, cada um a seu modo, para o desenvolvimento e o crescimento de nossa Itaúna.
Destacou-se como uma pessoa que nunca levava desaforos para casa -  era brigadeira mesmo! -  masque, inversamente, nunca deixou um inimigo para trás. Hoje, mesmo depois de tantos anos de seu falecimento, é lembrada com carinho por muitas pessoas itaunenses. Deu grande exemplo de vida e deixou para os filhos um nome íntegro, orgulho de toda a prole.
Foi valente até mesmo na morte, nunca se deixando abater pela doença que a consumiu pouco a pouco, por mais de uma no. Falecida em 20 de dezembro   de 1975, aos 73 anos de idade, seu sepultamento foi dos mais concorridos na cidade. Os filhos se assustavam com a quantidade de gente que se aproximava e dizia ter recebido uma ajuda ou favor da Balbina, pessoas que eles mesmo desconheciam como favorecidos por ela.
Nasceu pobre e dizia ter chegado ao fim de sua vida rica, pois havia conquistado um teto para deixar para que os filhos morassem, muitas amizades e se tornara uma vencedora frente aos obstáculos cotidianos.
Só e somente a morte foi capaz de abatê-la na sua luta pela vida!
Parecendo que estava adivinhando a sua hora, ela publicou na antiga FOLHA DO OESTE, um agradecimento:
“Obrigado Senhor! Pelos 73 anos que me deste de saúde, sem nenhuma dor de cabeça, 54 anos de casada, criando meus 11 filhos, dando morada para todos, me destes tudo que desejei. Eu pedi quando me desse uma enfermidade me desse também paciência e até isto eu recebi. Quando eu tiver de morrer, dê-me uma doença que eu não sinta muita dor, pois não irei lutar contra o Senhor!"
Balbina do Severiano
Itaúna, 5 de setembro de 1975 


Fonte: Revista de Itaúna: Mulheres Notáveis. Ano IV– Ed.05,2007, p.5. 

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