domingo, 17 de dezembro de 2017

MARIA JOAQUINA PARDA


“Aos trinta de junho de mil oitocentos e cinquenta e dois, sepultou-se na Capela do Rosário o cadáver de Maria Joaquina parda de idade de noventa e cinco anos. E para constar, faço este assento. ”

O Vigário encomendado João Batista de Miranda 







Pesquisa e Organização: Charles Aquino


Disponível em:"Brasil, Minas Gerais, Registros da Igreja Católica, 1706-1999," images, FamilySearch (https://familysearch.org/ark:/61903/3:1:939N-D7S9-JR?cc=2177275&wc=M5FD-2NP%3A370882003%2C369941902%2C370938801  : 22 May 2014), Itaúna > Santana > Óbitos 1840, Jan-1888, Fev > image 4 of 92; Paróquias Católicas (Catholic Church parishes), Minas Gerais.



sexta-feira, 3 de novembro de 2017

ANTÔNIO CRIOULO

"Aos vinte e nove de junho de mil oitocentos cinquenta e dois, sepultou-se no adro do Rosário o cadáver de Antônio, crioulo, de idade seis anos, escravo de dona Bárbara Flausina de Jesus. E para constar faço esse assento. O Pároco Encomendado João Batista de Miranda"

ADRO: Espaço, aberto ou fechado, que fica diante do portal de uma igreja. Pátio externo descoberto fronteiriço às igrejas, antigamente cercado ou murado; pode ser plano ou escalonado.


Pesquisa e Organização: Charles Aquino

Referência disponível em: "Brasil, Minas Gerais, Registros da Igreja Católica, 1706-1999," images, Family Search (https://familysearch.org/ark:/61903/3:1:939N-D7S9-JR?cc=2177275&wc=M5FD-2NP%3A370882003%2C369941902%2C370938801  : 22 May 2014), Itaúna > Santana > Óbitos 1840, Jan-1888, Fev > image 4 of 92; Paróquias Católicas, Minas Gerais (Catholic Church parishes, Minas Gerais).



terça-feira, 7 de março de 2017

FAMÍLIA AQUINO: ORIGEM

FAMÍLIA AQUINO: ORIGEM
Aristides de Aquino, patriarca da família Aquino, nasceu no arraial do Morro de Matheus Leme, hoje cidade de Mateus Leme, no ano de 1912, foi funcionário da Rede Ferroviária por vários anos exercendo a função de Guarda-Fio – pessoa que fiscaliza a linha telegráfica ou telefônica e efetua reparações de emergências.  Ele casou em 27 de janeiro do ano de 1940, com Maria Nazaré Castanheira e percorreu várias cidades de minas trabalhando pela Rede, sendo a sua moradia um vagão atrelado ao trem, tendo mais vagões que ficavam instalados a esquipe de trabalhadores e ferramentas sob a sua coordenação.
Desta união, o casal teve doze filhos – José Maria de Aquino, nascido em Passa Quatro, Maria Aparecida de Aquino, nascida em Alfenas, Leonardo Custódio de Aquino, nascido em Araxá, Lucília Castanheira de Aquino, nascida em Belo Horizonte, Luiz Gonzaga de Aquino, Geraldo Benedito de Aquino, Maria Lúcia de Aquino, Maria de Fátima de Aquino, Aristides Antônio de Aquino, Natália de Aquino, Maria Márcia de Aquino e Maria Angélica de Aquino nascidos em Itaúna. Uma criança foi adotada pelo casal, Weber de Oliveira, nascido também em Itaúna.
No ano de 1936, o presidente Getúlio Vargas, assinava a Lei de número 252 de 26 de setembro, que prorrogava o prazo para o registro civil de nascimentos:
Art. 1º Os nascimentos ocorridos no território nacional desde 1 de janeiro de 1879, que não foram registrados no tempo próprio, devem ser levados a registro dentro do prazo de um ano, mediante: 1º Petição e despacho do juiz do cível do lugar do nascimento se o registrando tiver doze anos de idade, ou mais.
Aos 19 de outubro do ano de 1937, Aristides com idade de 25 anos, compareceu ao Cartório de Mateus Leme com a presença de testemunhas, exibindo uma petição despachada pelo Juiz de Direito para registrar o seu nascimento em virtude da Lei de 1936 e declarou:
Que ele declarante ARISTIDES DE AQUINO, do sexo masculino, de cor morena, nasceu neste arraial, à rua do cemitério, no dia sete de março de mil novecentos e doze, às dezesseis horas, que é filho de JOÃO CAMILLO DA SILVA, brasileiro, já falecido e de dona MARIA ADRIANA DA SILVA, brasileira, ambos naturais deste distrito, (...), que são seus avós: pelo lado paterno CAMILLO MOREIRA DA SILVA E MARIA LUCAS DA SILVA, ambos já falecidos e pelo lado materno FRANCISCA MARIA DE JESUS, já falecida; finalmente que não tem outros irmãos com o mesmo prenome. Do que faço constar, faço este termo em que comigo assinaram o declarante e as testemunhas MANOEL BRAZ OBELHEIRO, comerciante e JOSÉ MENDES, padeiro, residentes neste distrito, depois de ser lido por mim e achado tudo conforme. Eu Francisco de Abreu Vasconcellos, oficial do Registro, o escrevi e assino.  O referido é verdade, do que dou fé, Mateus Leme -  MG, 1937.
Além de exercer com competência e amor a sua profissão de Guarda-Fio, Tico – Tico, assim chamado pelos seus amigos e familiares, Aristides de Aquino, apreciava o futebol e uma boa música.  Sempre acompanhando de seu charmoso e inseparável Moustache (bigode) tinha como aliado, um senso de humor apurado, esse cultivado até hoje pelos seus descendentes. Sua casa em Itaúna, era situada à rua Santo Agostinho, nº 67 - Graças.     
Verificando a documentação, percebi que o sobrenome foi escolha de Aristides, cujo, seus pais não possuíam. Verifiquei ainda que, São Tomás de Aquino veio a falecer no dia 7 de março de 1274 e Aristides de Aquino nasceu no dia 7 de março de 1912.  Levando a crer que, ele seria devoto do teólogo, filósofo e padre dominicano do século XII, o qual, em sua homenagem, adotou o sobrenome dando origem a família AQUINO.


Itaúna, 07 de março de 2017 

Charles Aquino

sábado, 6 de agosto de 2016

ITAÚNA: ESCRAVO FUGIDO


OURO PRETO, 27 DE NOVEMBRO DE 1884

JORNAL : A PROVÍNCIA DE MINAS

Nº 235

Sant'Anna de São João Acima
(ITAÚNA)

Os anúncios de jornais revelavam a mudança dos hábitos alimentares,  como os escravos se vestiam se comportavam e suas habilidades profissionais. E os seus defeitos, que algumas vezes só eram defeitos aos olhos do senhor.  Os anúncios mostram, porém, sem o menor disfarce, a crueldade a que estavam sujeitos. Pois, neles, os escravos fugidos eram muitas vezes descritos pelos sinais dos maus -tratos e castigos que sofriam.
Gilberto Freyre





Referência: FREYRE, Gilberto. O escrevo nos anúncios de Jornais Brasileiros do século XIX


Pesquisa: Charles Aquino




terça-feira, 14 de junho de 2016

FRANCISCO CRIOULO


"Aos sete de Fevereiro de mil oitocentos cincoenta e dois na Capela do Rosário foi sepultado o cadáver de Francisco, crioulo, inocente[1], filho legítimo de João Rodrigues dos Santos e Maria Inocência de Jesus. E para constar faço este assento em que me assigno. O vigário encomendado João Batista de Miranda."


[1] Faixas temporais: “velho”, “inocente”, “recém-nascido” e “sem referência”.
Em muitos registros a classificação por faixa etária está acompanhada da idade numérica. A partir destas anotações pode-se chegar à conclusão de que os “inocentes” correspondem às crianças de até 12 anos, e os “sem referência” aos adultos (dos 14 até os 50/60 anos).

MORALES. Walter Fagundes. MOI. Flávia Prado. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, SP, 2008, p.125.

Referência disponível em:
"Brasil, Minas Gerais, Registros da Igreja Católica, 1706-1999," images, FamilySearch , Itaúna > Santana > Óbitos 1840, Jan-1888, Fev > image 2 of 92; Paróquias Católicas, Minas Gerais (Catholic Church parishes, Minas Gerais).
Acesso em>  https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:939N-D7S9-G2?i=1&cc=2177275

Pesquisa e Organização: Charles Aquino



domingo, 12 de junho de 2016

Vocabulário Quimbundo: Parte II


VOCABULÁRIO QUIMBUNDO

Parte II


E é coisa curiosa a examinar o povoado do Catumba, que se me afigura às ruínas de considerável quilombo. Ainda hoje só é habitado por pretos que só falam entre si o quimbundo [...].
Ainda me lembro bem de vários tipos populares negros, hoje desaparecidos, que serviam de tróça para os moleques de Itaúna. Eram pretos de ascendência africana, si não direta, pelo menos muito próxima. E como era costume aditar ao nome do negro o da nação a que pertencia, chamavam a esses pretos Vicente Bunda[1], Chico Bié, Cristina Bunduda, sendo que esta me parece Kakuana, pela pequena estatura e a monstruosa esteatopigia[2] que apresentava.
Língua de formação bem rudimentar ainda, o congoês, pelos seus dialetos, não possue os atributos e as flexões que apresentam as línguas mais evoluídas como o português. Por isso, o quimbundo que surpreendí em Minas recorre sempre ao português nos casos em que o dialeto não possue recurso para a expressão. Estão neste caso os artigos demonstrativos, as conjunções, etc. Aliás, utilizam esses recursos em casos absolutamente indispensáveis por motivo de clareza. O dialeto não os possue. Quando querem dizer:  - “ O João fala muito bem a língua de preto”, se expressam assim: - “João oméra navuro quiapossóca undaca de quimbundo”.
A formação do feminino também é de simplicidade infantil. Resume-se em ajuntar a palavra -  mulher (ocaia ou mandumba) ao subistantivo a ser modificado: - rei (vicóra), Rainha (ocaia do vicóra) – mulher do rei. Porco (camguro), porca (mandumba do canguro)[3].
O número de verbos é reduzidíssimo e nunca flexionam para as diversas expressões de tempo e modo. A compreensão exata da frase se consegue pelo assunto de que trata a oração. Cachia, por exemplo, é o infinito do verbo chegar. E a frase: O cuêto vindêro cachia no curimã , que dizer: -  o branco está chegando no serviço ...




[1] É interessante o fenômeno que se deu com esta palavra no Brasil. Bunda ou M’bunda pe adjetivo gentílico de um povo bántu. Por extensão, empregavam-na com a significação de ruim, feio, reles, inferior. E por isso é empregada vulgarmente para designar a anatomia posterior aos ossos da bacia (nádegas) ...
[2] Esteatopigia é um termo médico que define o acúmulo de gordura nas nádegas.
[3] Quer me parecer que mandumba eles empregam quando se tratam de irracionais e vicóra quando de gente.


Fonte: FILHO, João Dornas. A Influência Social do Negro Brasileiro. Ed.Guaíra, São Paulo, 1942, p.72-73. 

Lei 10.639




Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI No 10.639, DE 9 DE JANEIRO DE 2003.

Mensagem de veto

        Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências.

        O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

        Art. 1o A Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 26-A, 79-A e 79-B:

"Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.

§ 1o O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.

§ 2o Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.

§ 3o (VETADO)"

"Art. 79-A. (VETADO)"

"Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’."

        Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

        Brasília, 9 de janeiro de 2003; 182o da Independência e 115o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque



Referências:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.639.htm
http://slideplayer.com.br/slide/390140/
http://etnicoracial.mec.gov.br/10-menu-principal/82-10-anos-da-lei-10-639-03
http://www.pedagogiagm.unir.br/downloads/5251_novas_diretrizes_curriculares_para_o_estudo_da_historia_e_da_cultura_afro_brasileira_e_africana___lei_10.639___2003.pdf